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ANO II - Nº9 - Janeiro - Março/2005


O mercado de amido no Mundo

 

A Revista ABAM já se consolidou entre as pessoas interessadas em conhecer melhor a área de fécula de mandioca. Embora já venha colaborando com essa conceituada Revista, através da publicação de artigos técnicos, estou, neste número, inaugurando uma coluna.

Novamente na ativa, agora no CeTeAgro/UCDB, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, estou mais próxima do setor mandioqueiro. Ter uma coluna é ter constância, responsabilidade para com os leitores. Nesta coluna inaugural convidei o colega Olivier Vilpoux, também do CeTeAgro, para escrever sobre mercado de amidos modificados.


(*) Marney Pascoli Cereda


(*) Marney
Pascoli Cereda
é Pesquisadora do
CeTeAgro /UCDB
(**) Olivier Vilpoux

Omercado mundial de amido está dividido em cinco matérias-primas, quatro delas de origem tropical (milho, batata, batata-doce e mandioca). Dessas, o milho é a mais significativa, com 75% da produção mundial de amido. É a principal fonte de amido nos Estados Unidos (99% da produção), na Europa (46%), na Ásia e no Brasil. Apenas a Tailândia e alguns poucos países da Ásia possuem outras matérias-primas como principal fonte de matéria-prima para amido.

A produção de amido, a partir de trigo, encontra-se em forte crescimento na Europa, onde a produtividade alta e o elevado valor agregado dos co-produtos permitem a produção com preços muito competitivos.

A produção de fécula de batata-doce concentra-se em 95% na China, sendo o restante localizado, principalmente, no Japão. Alguns dados chineses indicam uma produção da ordem de quatro milhões de toneladas de fécula de batata-doce, informações essas difíceis de se verificar.

As previsões de evolução de consumo mundial são de forte crescimento nos próximos anos, com a passagem da produção atual de 60 milhões de toneladas para 70 milhões em 2010 (figura 01).

Nem todas as regiões se beneficiarão do mesmo modo desta evolução, com o Japão e a Europa tendo as menores taxas de crescimento anual (0,18% e 0,2%), seguidos dos Estados Unidos (0,65%).

As maiores taxas de crescimento anual são previstas na China, Índia e América Latina, com média de 2,25% nesses países

 

Durante 24 anos, até o ano 2002, a produção de amido na China cresceu numa média anual de 13,8%, o que fez deste país o principal foco de investimento no setor mundial de amido.

A média anual de consumo de amidos (nativos e modificados) por habitante é da ordem de 10 quilos nos principais países industrializados, contra cerca de um quilo nos países em desenvolvimento (figura 02). Essa grande diferença acentua o potencial de crescimento para o setor de amido.

No caso de açúcares derivados de amido (glicose, maltose, frutos, maltodextrina e derivados), o consumo nos Estados Unidos é muito grande, pois as produções de açúcares de beterraba ou de cana-de-açúcar são menos competitivas.

Na Europa, subsídios para a indústria de açúcar de beterraba fizeram com que este produto se tornasse mais competitivo, limitando o uso de açúcares de amido. No caso do Brasil, a indústria de cana-de-açúcar é altamente competitiva, limitando também o uso de açúcares de amido. Mesmo assim, como acontece na China e na Índia, o consumo de amidos hidrolisados (açúcares de amido) no Brasil é muito limitado em relação ao potencial de mercado, indicando forte potencial de crescimento.

Além do alto potencial de crescimento dos países asiáticos e da América Latina, a participação da fécula de mandioca no mercado internacional deverá aumentar, em razão de previsões de baixos estoques de milho e trigo em nível internacional nos próximos anos.

 
Fonte: LMC international, 2002.

FIGURA 1: Estimativas da evolução de produção de amido, por grande região.
 
Fonte: LMC international, 2002.

Figura 2. Demanda per capita de amido e derivados,
nos principais mercados mundiais, em 2000.
 
 
   
 
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