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o consumo de lenha foi aumentando ao longo dos
anos, acompanhando o pique do crescimento industrial,
a produção de árvores para
esta finalidade não conseguiu suplementar
o ritmo acelerado do desenvolvimento. No Noroeste
do Paraná, onde se concentra a maioria
das indústrias de amido de mandioca do
Brasil, a deficiência de lenha é
bastante significativa.
De acordo com o Engenheiro Florestal da Emater
(Empresa Paranaense de Assistência Técnica
e Extensão Rural), Erni Limberger, 264
indústrias consomem lenha na região,
que engloba 29 municípios, sendo que 170
dessas indústrias utilizam a madeira como
matéria-prima. Limberger estima que, para
atender a demanda atual da região seriam
necessários 30 mil hectares de plantio
de árvores. No entanto, a região
tem apenas 14 mil hectares plantados, sendo que
o eucalipto representa 98% da espécie utilizada
para lenha.
Um comparativo do plantio de árvores
e do consumo de lenha, no período de 1999
a 2004, apresentado por Limberger, evidencia a
disparidade entre a oferta e necessidade dessa
matéria-prima. A área plantada no
período citado gerou em torno de 27 mil
metros cúbicos de madeira por ano; enquanto
que o consumo nesse mesmo período foi de,
aproximadamente, 800 mil metros cúbicos,
sendo que cerca de 90% foram utilizados como lenha
em indústrias.
Um ponto positivo destacado por Limberger, no
entanto, é que as atenções
de produtores rurais estão se voltando
para os benefícios de se plantar árvore.
Uma das vantagens destacadas por ele é
a rentabilidade oferecida pelo investimento no
eucalipto. Num cálculo rápido o
engenheiro florestal mostra que ao fim do sétimo
ano o produtor terá como renda a cifra
de R$ 22,5 mil, ou R$ 3.214,00/ano, por alqueire
cultivado. “Se utilizar a mesma área
para criar boi o produtor terá como rendimento
R$ 1.230,00/ano”, compara.
Outra vantagem de se plantar árvores,
citada por Limberger, é o MDL (Mecanismo
de Desenvolvimento Limpo), que possibilita às
empresas que emitirem menos CO2 (gás carbônico),
ou outros gases que gerem efeito estufa, podem
vender sobras de carbono para outros países
poluentes. O acordo foi firmado através
do Protocolo de Kyoto.
Ele salienta, ainda, que áreas com restrições
para exploração de pastagens podem
ser utilizadas para plantio de eucalipto, funcionando,
também, como indutoras de reservas legais,
contribuindo, assim, com o meio ambiente. “Há
linhas de financiamento específicas para
o plantio como o Pronaf Florestal, com juros de
4% ao ano; e, o Pro-Flora, cujos juros são
de 8,75% ao ano”, indica o engenheiro. As
duas linhas são administradas pelo Banco
do Brasil.
RESTRIÇÕES DE CORTE
- há que se considerar na contabilização
da lenha passível de ser utilizada pelas
indústrias que as restrições
de corte, por órgãos ambientais,
estão cada vez maiores, mesmo em se tratando
de trechos de capoeira.
De acordo com o Chefe do Escritório Regional
do IAP (Instituto Ambiental do Paraná),
Doraci Ramos de Oliveira, o Decreto Federal 750/01,
não permite mais desmatamentos. “Se
for capoeira que dá lenha é considerado
estágio avançado de mata, não
sendo passível de corte, mesmo que o proprietário
já tenha os 20% de reserva obrigatória.
Se for capoeira que não produz lenha, é
preciso que o proprietário averbe a área
no IAP, e peça autorização
para desmate ou descapoeiramento”, esclarece
Oliveira.
Ele acrescenta que até mesmo áreas
de pastagens estão protegidas por lei.
Logo, não são permitidas mais destocas
(arranquio de tocos de árvores nativas
que existem em muitos pastos). Uma Portaria do
Ibama /IAP, de setembro do ano passado, suspendeu
as autorizações para destocas. “Essa
providência foi tomada porque muitos proprietários
de terras que obtinham autorização
do IAP para descapoeirar algumas áreas
acabavam aproveitando a chance para entrar na
mata”, informa Oliveira, salientando que
só estão sendo autorizados cortes
de espécies exóticas como o eucalipto,
a grevílea e o pinus.
O objetivo da Portaria, segundo Oliveira, foi
suspender as autorizações para que
se pudesse realizar um estudo dos reflexos desse
procedimento na cobertura vegetal da região.
A Portaria tinha validade até o dia 20
de março deste ano, enquanto esta edição
da Revista estava em produção gráfica.
Assim, até sua circulação,
é possível que a legislação
tenha sido modificada.

Bagaço de cana-de-açúcar
está entre as alternativas adotadas
Doraci
Ramos de Oliveira, chefe do escritório
Regional do Instituto Ambiental do Paraná

Erni Limberger, engenheiro florestal da Emater
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ENERGIA ALTERNATIVA - Se o mercado
não oferece a lenha suficiente para seu
funcionamento as indústrias de amido de
mandioca buscam alternativas para atender suas
necessidades. O caminho adotado pela Incol - Indústria
e Comércio de Fécula O'Linda Ltda.,
sediada em Nova Londrina/PR, foi plantar eucalipto
em torno de seu parque industrial.
De acordo com o Gerente Geral da indústria,
Ilson Boscaratto, o plantio tem 150 hectares,
sendo suficiente para atender suas necessidades
de lenha pelo período de 20 anos. Ele salienta,
no entanto, que a Incol usa também bagaço
de cana-de-açúcar pra gerar energia.
O bagaço de cana é também
a alternativa adotada pela Fec Lopes (Fecularia
Lopes Ltda.), e pela Copagra (Cooperativa Agroindustrial
do Noroeste Paranaense), ambas também sediadas
na cidade de Nova Londrina/PR. A Fec Lopes usa
hoje apenas bagaço de cana, a partir de
um contrato firmado há quatro anos, em
que a empresa troca bagaço de mandioca
por bagaço de cana.
O Gerente de Produção da indústria
Isaqui Mosa Ribeiro, fala que o custo do bagaço
de cana está aumentando muito, e se equiparando
ao preço da lenha. “Há muita
demanda e não está sobrando bagaço
de cana nas usinas. A saída é a
indústria partir para o plantio de eucalipto.
Já estamos pensando nisso para o futuro”,
diz Ribeiro, salientando que a Fec Lopes consome,
atualmente, cinco mil toneladas/ano.
A Copagra utiliza, na caldeira de sua fecularia,
bagaço solto in natura (com 50% de umidade)
e também o bagaço prensado, em fardos
de 570 quilos, com umidade de 30% a 35 %, que,
conforme o Superintendente Industrial da Cooperativa,
Ramón Orlando Villarreal, possui poder
calorífico igual ou superior à lenha
seca.
Além de utilizar o bagaço de cana
para gerar energia em sua fecularia a Cooperativa
comercializa a matéria-prima, tendo entre
seus clientes indústrias laticínias,
cerâmicas, secadoras de grãos, olarias
e até fecularias.
Villarreal fala que, hoje, o custo do bagaço
solto (50% de umidade ) perante ao custo da lenha
verde, é bem inferior (60% do valor do
custo da lenha). Conforme ele, o que encarece
talvez seja o custo de frete, para o caso das
fecularias distantes das usinas, e o caminhão
para transporte, “que deve ser adequado
para bagaço solto”.
No caso do bagaço enfardado (fardos de
50 quilos e 30% de umidade), Villarreal destaca
que possui poder calorífico igual ou superior
à lenha seca. Porém, salienta que
na região não se encontra com facilidade
lenha seca, somente verde.
Uma vantagem de se usar material granulado (bagaço,
ou resíduos de cavacos ou pó de
serra), em relação à lenha,
é a manipulação, compara
ele. “O bagaço é mais fácil
de manipular que a lenha, sendo possível
alimentação mecânica ou manual.
Requer, também, menor manutenção
das fornalhas das caldeiras? A lenha quebra a
alvenaria e danifica os tubos das paredes de água”,
observa.
Villarreal informa que as usinas do Paraná
(Grupo Santa Terezinha, Vale do Ivaí e
Usaciga) conseguiram ser aprovados pelo PROINFA
(Programa de Apoio Financeiro a Investimentos
em Fontes Alternativas), programa que tem financiamento
pelo BNDES e devem exportar energia elétrica
nos próximos anos (2006 e 2007). Assim,
o excedente de bagaço das usinas será
destinado à co-geração de
energia elétrica, devendo, no futuro, diminuir
o excedente de bagaço das usinas.
O Diretor-presidente da Pinduca Indústria
Alimentícia Ltda., Hermes Campos Teixeira,
descobriu no briquet (sobras de madeiras utilizadas
na fabricação de móveis),
um ótimo gerador de energia para sua empresa.
Ele também investe no plantio de eucalipto,
para uso em suas duas unidades industriais: em
Araruna e em Cianorte, ambas no Estado do Paraná.
“Contudo, com a finalidade de preservar
nosso plantio estamos comprando, de terceiros,
parte de nosso consumo”, informa.
Em fase de implantação de uma
nova unidade, no Município de Planaltina
do Paraná, também no Estado do Paraná,
onde existe pouca disponibilidade de oferta de
lenha, a estratégia do industrial será
partir para áreas de reflorestamento, com
eucalipto. “Nessa região vamos verificar
se existe alguma alternativa diferente, no curto
prazo, visando atender as necessidades da nova
unidade”, salienta Teixeira, que considera
que o plantio de eucalipto, além de ser
uma alternativa econômica para o produtor
rural, contribui para a preservação
do ecossistema da região. “Hoje o
assunto é muito discutido mundialmente,
a partir do Tratado de Kioto (que trata do problema
do efeito estufa no Planeta Terra). Considerando-se
que o Brasil é o grande pulmão mundial
do Ecossistema (região amazônica),
se não nos preocuparmos, a devastação
poderá ser irreversível”,
argumenta.
Teixeira acrescenta que muitos produtores de
fécula estão melhorando a produtividade
dos seus equipamentos, por sentirem necessidade
de otimização do uso das matérias-primas
existentes. Para ele, portanto, não é
novidade o fato de se incluir entre as alternativas
para geração de energia o pó
de serra, maravalhas (resíduos de serrarias
e de fábricas de móveis), e o bagaço
de cana-de-açúcar.
A maravalha, a serragem e cavacos de lenha estão
entre as alternativas escolhidas pela Agrícola
Horizonte Ltda., com sede na cidade de Marechal
Cândido Rondon/PR. De acordo com o Gerente
de Produção da empresa, Jordani
Luiz Rodrigues da Silva, além de investir
em fontes de energia alternativa, a Agrícola
Horizonte está implantando novos equipamentos
de desidratação do amido, que são
mais eficientes. Estes novos equipamentos geram
um amido desidratado com menor teor de umidade,
diminuindo, assim, o consumo de vapor para sua
secagem, e, conseqüentemente, economizando
combustível na caldeira.
O cavaco de lenha é a matéria-prima
utilizada pela C.Vale - Cooperativa Agroindustrial,
que possui indústrias nos municípios
de Palotina, Terra Roxa e Assis Chateaubriand.
A C.Vale investe, também, em áreas
de reflorestamento de eucalipto para atender a
demanda destas unidades industriais. Segundo Valter
de Moura Carloto, Gerente das Amidonarias C.Vale,
"as alternativas existentes para geração
de energia térmica deverão ser providas
de biomassa, que são sustentáveis
e oferecem maior viabilidade econômica". |