| Desenvolvimento
de novas variedades de mandioca
Um dos aspetos mais importantes em qualquer
sistema de produção de mandioca
é a utilização de variedades
que atendam a um conjunto de necessidades que
possam satisfazer adequadamente os agricultores
e as indústrias processadoras. Estas
necessidades variam nas diferentes regiões
produtoras, principalmente porque a mandioca
é cultivada de Norte a Sul do Brasil.
Uma variedade que apresente um bom desempenho
no Sul do país, com baixas temperaturas
no inverno, pode não apresentar o mesmo
comportamento no Norte, com altas temperaturas
e chuvas intensas. Outro contraste é
a região semi-árida, no Nordeste
do país, onde a mandioca tem que conviver
constantemente com a estiagem.
Doenças que são endêmicas,
como é o caso da bacteriose no Centro
Sul do Brasil, praticamente não causam
problemas na região Norte.
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Mário Takahashi
é engenheiro agrônomo,
pesquisador do Instituto
Agronômico do Paraná. |
| De
uma maneira geral a variedade de mandioca deve
atender aos seguintes requisitos:
- Elevada produtividade de raízes;
- Elevada tolerância às principais
pragas e doenças;
- Elevado conteúdo de amido durante
os ciclos de crescimento;
- Raízes mais curtas, que facilitem
a colheita;
- Parte aérea favorável ao plantio
mecanizado, e que cubra rapidamente o terreno;
- Material de plantio com boa capacidade de
brotação e enraizamento, e que
suporte a armazenagem quando as condições
de plantio são desfavoráveis;
Adaptada a diferentes tipos de solo;
- Para consumo de mesa as raízes devem
ser mansas, de bom cozimento ao longo do ano,
além da polpa de diferentes cores para
atender características de consumo regionais.
A pesquisa agronômica tem que abarcar todos
estes detalhes praticamente ao mesmo tempo, o
que dificulta, sobremaneira, a velocidade de geração
de novas variedades. Por exemplo, durante o processo
de seleção, variedades que possuem
elevada produção de raízes,
normalmente, são mais ramificadas. Tal
aspecto dificulta o plantio mecanizado, mas, ao
mesmo tempo, propicia uma boa cobertura do terreno,
melhorando a concorrência com as plantas
daninhas.
Outro aspecto difícil de reunir numa
mesma variedade é o teor de amido elevado
no segundo ciclo com produtividade de raízes.
Normalmente, estes dois aspectos, da maior importância,
não se encontram harmonicamente durante
o processo de seleção.
Além de todos estes aspectos, existe
a aceitação por parte do agricultor
que, muitas vezes, segue critérios subjetivos,
em função da tradição
com a cultura da mandioca.
Multiplicação convencional
de novas variedades
Após a obtenção de uma nova
variedade a próxima etapa é a multiplicação
para que o material de plantio chegue às
mãos do agricultor.
Nesta etapa a mandioca leva grande desvantagem
em relação a outras culturas reproduzidas
por sementes verdadeiras (milho, soja, arroz,
etc), devido a sua baixa taxa de multiplicação,
que, em média, é de 1:5, ou seja,
de um hectare é possível plantar
ao redor de cinco hectares.
Quando a nova variedade já se encontra
multiplicada pelos agricultores usuários
já é hora de uma nova variedade
entrar no mercado, devido à perda gradual
de resistência às pragas e doenças.
Portanto, o trabalho de melhoramento não
tem fim. Sempre existirão novos desafios
e novas tendências do mercado que exigirão
novas variedades. Tanto isso é verdade,
que o novo desafio são variedades que facilitem
a colheita mecanizada. |
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Foto 1. Diferentes formatos de folha em função
da variedade. Folhas da variedade Fécula
branca plantada no Paraná

Diferentes formatos de folha em função
da variedade. Folhas da variedade Olho junto plantada
no Paraná
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Multiplicação não-convencional
de novas variedades
A multiplicação do material de
plantio de forma não-convencional, como
é o caso do cultivo de tecidos, ou a multiplicação
rápida, não tem proporcionado resultados
práticos interessantes até o presente
momento.
Ambos os processos funcionam bem até
a fase de plantar as mudas no campo. Muitas mudas
morrem, por serem muito frágeis, necessitando
de irrigação, proteção
contra o excesso de sol, além de muita
mão-de-obra no manuseio.
O transporte das mudas de mandioca,acondicionadas
em recipientes de plástico ou tubetes,
em grande escala, ainda são fatores limitantes
para este processo.
A técnica de limpeza de patógenos
em laboratório, de variedades tradicionais,
pode não ser interessante, devido à
baixa resistência que estas já apresentam
no campo. Após a saída do laboratório
para o campo estas variedades não suportarão
a pressão das doenças, pois, este
processo de limpeza exclui microorganismos maléficos,
mas também os benéficos. A partir
do momento que haja material de plantio suficiente,
oriundos do laboratório, estas, possivelmente,
já estarão novamente contaminadas
no campo.
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Uma prática que pode ser implementada
é o plantio de campos de multiplicação
de material de plantio certificados, para garantir
sanidade mínima e pureza varietal, principalmente
no caso de novas variedades.
As ramas originadas destes campos poderão
ter atestados de sanidade, emitidos por órgãos
de fiscalização vegetal, no intuito
de garantir o mínimo de qualidade.
Alguns critérios para certificação
poderão contemplar a sanidade, a brotação,
o vigor, o diâmetro, o número de
gemas, o estado nutricional e o tempo de armazenagem.
Com a criação dos critérios
para garantir a certificação, será
possível reduzir o trânsito destes
materiais de plantio, que, eventualmente, possam
estar contaminados por pragas e doenças,
minimizando as probabilidades de ocorrência
de epidemias. |
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