Nesta Edição
Editorial
Fecularias adotam energias alternativas
Amido de mandioca movimentou R$ 573,3 milhões em 2004
Desenvolvimento de novas variedades de mandioca
Cresce oferta e preços da raiz e da fécula caem
Projeto Mandioca/Cepea completa quatro anos
NOTÍCIAS DA EMBRAPA
Entrevista - JOÃO EDUARDO PASQUINI
O mercado de amido no Mundo
Colhedeira de mandioca passa por ajustes
UNICAMP - Manipueira pode ser usada no refino de petróleo e no tratamento de tumores
CETEM - Paranavaí ganha Laboratório de Qualidade da Mandioca
Mudança no sistema de cobrança do ICMS penaliza amido de mandioca
Tapioca “Sabor da Terra”
Supermandioca do Brasil mata fome de africanos
SABORES DA MANDIOCA
FECLOPES
BRASAMID
Destaques
 
Outras Revistas
ANO II - Nº9 - Janeiro - Março/2005


Desenvolvimento de novas variedades de mandioca

 

Um dos aspetos mais importantes em qualquer sistema de produção de mandioca é a utilização de variedades que atendam a um conjunto de necessidades que possam satisfazer adequadamente os agricultores e as indústrias processadoras. Estas necessidades variam nas diferentes regiões produtoras, principalmente porque a mandioca é cultivada de Norte a Sul do Brasil.

Uma variedade que apresente um bom desempenho no Sul do país, com baixas temperaturas no inverno, pode não apresentar o mesmo comportamento no Norte, com altas temperaturas e chuvas intensas. Outro contraste é a região semi-árida, no Nordeste do país, onde a mandioca tem que conviver constantemente com a estiagem.
Doenças que são endêmicas, como é o caso da bacteriose no Centro Sul do Brasil, praticamente não causam problemas na região Norte.


Mário Takahashi
é engenheiro agrônomo,
pesquisador do Instituto
Agronômico do Paraná.

De uma maneira geral a variedade de mandioca deve atender aos seguintes requisitos:

  • Elevada produtividade de raízes;
  • Elevada tolerância às principais pragas e doenças;
  • Elevado conteúdo de amido durante os ciclos de crescimento;
  • Raízes mais curtas, que facilitem a colheita;
  • Parte aérea favorável ao plantio mecanizado, e que cubra rapidamente o terreno;
  • Material de plantio com boa capacidade de brotação e enraizamento, e que suporte a armazenagem quando as condições de plantio são desfavoráveis;
    Adaptada a diferentes tipos de solo;
  • Para consumo de mesa as raízes devem ser mansas, de bom cozimento ao longo do ano, além da polpa de diferentes cores para atender características de consumo regionais.

A pesquisa agronômica tem que abarcar todos estes detalhes praticamente ao mesmo tempo, o que dificulta, sobremaneira, a velocidade de geração de novas variedades. Por exemplo, durante o processo de seleção, variedades que possuem elevada produção de raízes, normalmente, são mais ramificadas. Tal aspecto dificulta o plantio mecanizado, mas, ao mesmo tempo, propicia uma boa cobertura do terreno, melhorando a concorrência com as plantas daninhas.

Outro aspecto difícil de reunir numa mesma variedade é o teor de amido elevado no segundo ciclo com produtividade de raízes. Normalmente, estes dois aspectos, da maior importância, não se encontram harmonicamente durante o processo de seleção.

Além de todos estes aspectos, existe a aceitação por parte do agricultor que, muitas vezes, segue critérios subjetivos, em função da tradição com a cultura da mandioca.

Multiplicação convencional de novas variedades

Após a obtenção de uma nova variedade a próxima etapa é a multiplicação para que o material de plantio chegue às mãos do agricultor.
Nesta etapa a mandioca leva grande desvantagem em relação a outras culturas reproduzidas por sementes verdadeiras (milho, soja, arroz, etc), devido a sua baixa taxa de multiplicação, que, em média, é de 1:5, ou seja, de um hectare é possível plantar ao redor de cinco hectares.

Quando a nova variedade já se encontra multiplicada pelos agricultores usuários já é hora de uma nova variedade entrar no mercado, devido à perda gradual de resistência às pragas e doenças.
Portanto, o trabalho de melhoramento não tem fim. Sempre existirão novos desafios e novas tendências do mercado que exigirão novas variedades. Tanto isso é verdade, que o novo desafio são variedades que facilitem a colheita mecanizada.

 


Foto 1. Diferentes formatos de folha em função da variedade. Folhas da variedade Fécula branca plantada no Paraná


Diferentes formatos de folha em função da variedade. Folhas da variedade Olho junto plantada no Paraná

 

Multiplicação não-convencional de novas variedades

A multiplicação do material de plantio de forma não-convencional, como é o caso do cultivo de tecidos, ou a multiplicação rápida, não tem proporcionado resultados práticos interessantes até o presente momento.

Ambos os processos funcionam bem até a fase de plantar as mudas no campo. Muitas mudas morrem, por serem muito frágeis, necessitando de irrigação, proteção contra o excesso de sol, além de muita mão-de-obra no manuseio.

O transporte das mudas de mandioca,acondicionadas em recipientes de plástico ou tubetes, em grande escala, ainda são fatores limitantes para este processo.

A técnica de limpeza de patógenos em laboratório, de variedades tradicionais, pode não ser interessante, devido à baixa resistência que estas já apresentam no campo. Após a saída do laboratório para o campo estas variedades não suportarão a pressão das doenças, pois, este processo de limpeza exclui microorganismos maléficos, mas também os benéficos. A partir do momento que haja material de plantio suficiente, oriundos do laboratório, estas, possivelmente, já estarão novamente contaminadas no campo.

 

 

Uma prática que pode ser implementada é o plantio de campos de multiplicação de material de plantio certificados, para garantir sanidade mínima e pureza varietal, principalmente no caso de novas variedades.

As ramas originadas destes campos poderão ter atestados de sanidade, emitidos por órgãos de fiscalização vegetal, no intuito de garantir o mínimo de qualidade.

Alguns critérios para certificação poderão contemplar a sanidade, a brotação, o vigor, o diâmetro, o número de gemas, o estado nutricional e o tempo de armazenagem.

Com a criação dos critérios para garantir a certificação, será possível reduzir o trânsito destes materiais de plantio, que, eventualmente, possam estar contaminados por pragas e doenças, minimizando as probabilidades de ocorrência de epidemias.

   
 
© 2000-2008 .:ABAM:. Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca
Avenida Rio Grande do Norte, 1330 - CEP: 87701-020 - Fone: (44)3422-8217 / 3422-6490
Paranavaí - Paraná