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Editorial
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Supermandioca do Brasil mata fome de africanos
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ANO II - Nº9 - Janeiro - Março/2005


Supermandioca do Brasil
mata fome de africanos

Há trinta anos o professor / pesquisador Nagib Mohammed Abdalla Nassar se dedica ao melhoramento da mandioca, cruzando-a com espécies silvestres. Dos híbridos interespecíficos produzidos por ele, destacam-se clones com o triplo de proteínas das variedades comuns, e outras com características como maior produtividade por hectare plantado e baixo teor de ácido cianídrico. Alguns dos híbridos produzidos pelo professor, batizados de “supermandioca” estão ajudando a matar a fome em diversos países africanos.

Agrônomo, PhD em genética, o professor / pesquisador da UnB (Universidade de Brasília) explica que a supermandioca não é um transgênico, mas sim, um cruzamento de espécies silvestres com a mandioca comum, resultando num ganho de características que a fizeram conquistar lugar de destaque no meio científico mundial.

Dedicado a estudos com a mandioca desde o ano de 1972, quando ainda lecionava na Universidade do Cairo, no Egito, o professor Nassar, que aportou em terras brasileiras no ano de 1974, após realizar incansáveis pesquisas com a cultura chegou à supermandioca, que lhe rendeu grande reconhecimento internacional: ele foi indicado cinco vezes para concorrer ao World Food Prize (Prêmio Mundial de Alimentação). Embora não tenha vencido a concorrência Nassar teve como prêmio a satisfação de saber que sua criação ajudou a salvar diversas vidas, e contribuiu para transformar a Nigéria no maior produtor mundial de mandioca.

Conforme informações da Assessoria de Imprensa do CNPq, do qual o professor / pesquisador é bolsista desde o ano de 1982, graças às pesquisas desenvolvidas por ele, a mandioca vem sendo um dos mais importantes alimentos consumidos pela população africana, representando hoje em torno de 70% das calorias consumidas pelo povo nigeriano (a Nigéria é hoje o maior produtor mundial desse alimento).

Nassar defende que, se cultivada em larga escala, a supermandioca pode ser um instrumento poderoso no combate às deficiências nutricionais das populações carentes, pelo fato de oferecer maior teor de proteína.

 


Pesquisador Nagib Nassar sonha ver a supermandioca incluída no Programa Fome Zero

Porém, no Brasil, a supermandioca ainda é cultivada de forma experimental, diferente do que aconteceu no continente africano. A Unidade da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), de Cruz das Almas, na Bahia, está trabalhando na propagação do híbrido há cerca de cinco anos, mas a espécie ainda não atingiu escala de plantio comercial.

O sonho do professor é ver a supermandioca incluída no Programa Fome Zero, do Governo Federal, e colaborar para reduzir o índice da fome no país que escolheu pra viver 30 anos atrás. Ele cita, também, o projeto de lei do deputado federal Aldo Rebelo, que obriga a adição de farinha e fécula de mandioca à farinha de trigo, ainda em tramitação no Congresso Nacional, como um importante instrumento de incentivo à disseminação do plantio da supermandioca no Brasil.

   
 
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