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trinta anos o professor / pesquisador Nagib Mohammed
Abdalla Nassar se dedica ao melhoramento da mandioca,
cruzando-a com espécies silvestres. Dos
híbridos interespecíficos produzidos
por ele, destacam-se clones com o triplo de proteínas
das variedades comuns, e outras com características
como maior produtividade por hectare plantado
e baixo teor de ácido cianídrico.
Alguns dos híbridos produzidos pelo professor,
batizados de “supermandioca” estão
ajudando a matar a fome em diversos países
africanos.
Agrônomo, PhD em genética, o professor
/ pesquisador da UnB (Universidade de Brasília)
explica que a supermandioca não é
um transgênico, mas sim, um cruzamento de
espécies silvestres com a mandioca comum,
resultando num ganho de características
que a fizeram conquistar lugar de destaque no
meio científico mundial.
Dedicado a estudos com a mandioca desde o ano
de 1972, quando ainda lecionava na Universidade
do Cairo, no Egito, o professor Nassar, que aportou
em terras brasileiras no ano de 1974, após
realizar incansáveis pesquisas com a cultura
chegou à supermandioca, que lhe rendeu
grande reconhecimento internacional: ele foi indicado
cinco vezes para concorrer ao World Food Prize
(Prêmio Mundial de Alimentação).
Embora não tenha vencido a concorrência
Nassar teve como prêmio a satisfação
de saber que sua criação ajudou
a salvar diversas vidas, e contribuiu para transformar
a Nigéria no maior produtor mundial de
mandioca.
Conforme informações da Assessoria
de Imprensa do CNPq, do qual o professor / pesquisador
é bolsista desde o ano de 1982, graças
às pesquisas desenvolvidas por ele, a mandioca
vem sendo um dos mais importantes alimentos consumidos
pela população africana, representando
hoje em torno de 70% das calorias consumidas pelo
povo nigeriano (a Nigéria é hoje
o maior produtor mundial desse alimento).
Nassar defende que, se cultivada em larga escala,
a supermandioca pode ser um instrumento poderoso
no combate às deficiências nutricionais
das populações carentes, pelo fato
de oferecer maior teor de proteína.
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Pesquisador Nagib Nassar sonha ver a supermandioca
incluída no Programa Fome Zero
Porém, no Brasil, a supermandioca ainda
é cultivada de forma experimental, diferente
do que aconteceu no continente africano. A Unidade
da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária),
de Cruz das Almas, na Bahia, está trabalhando
na propagação do híbrido
há cerca de cinco anos, mas a espécie
ainda não atingiu escala de plantio comercial.
O sonho do professor é ver a supermandioca
incluída no Programa Fome Zero, do Governo
Federal, e colaborar para reduzir o índice
da fome no país que escolheu pra viver
30 anos atrás. Ele cita, também,
o projeto de lei do deputado federal Aldo Rebelo,
que obriga a adição de farinha e
fécula de mandioca à farinha de
trigo, ainda em tramitação no Congresso
Nacional, como um importante instrumento de incentivo
à disseminação do plantio
da supermandioca no Brasil.
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