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Pesquisadoras
da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp
(FEA) descobriram um processo inovador para aproveitar
a água derivada da prensagem de mandioca
na produção de biossurfactantes
(subproduto metabólico de bactérias,
fungos e leveduras, através de um meio
de cultura insólito, no caso a manipueira
- resíduo gerado na prensagem da mandioca)
que permitem, entre diversas aplicações,
o refino de petróleo.


Biossurfactante poderá auxiliar em situações
como vazamento de petróleo no mar, limpando
as regiões afetadas
RESÍDUO - A manipueira
é gerada na etapa de prensagem da mandioca
para se obter a farinha. A substância é
riquíssima em açúcar, mas
não há um destino útil e
se constitui em um produto nocivo ao meio ambiente.
É armazenada em tanques para fermentação
e na seqüência é descartada
em água de rio ou solo. Por ser altamente
tóxico, polui o solo e mata a vegetação.
A pesquisadora Gláucia Maria Pastore explica
que é comum o Laboratório de Bioquímica
receber amostras de solo, água, plantas,
frutas e vegetais de várias partes do país,
para se realizar o isolamento dos microorganismos
dessas amostras e fazer uma checagem do que eles
produzem. A água de lavagem de frango foi
um dos resíduos testados. O crescimento
das bactérias, no entanto, não se
deu com tanta eficiência como com a manipueira.
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A
técnica é simples, e tira do meio
ambiente um resíduo incômodo para
a indústria de mandioca. As pesquisas demonstraram
que o produto alcança níveis de
80% no refino do petróleo incorporado em
areia, além de demonstrar enorme potencial
para a indústria alimentícia e de
fármacos. Ensaios preliminares constataram
ainda ação contra o desenvolvimento
de células cancerígenas. Os estudos
precisam ser aprofundados, mas a atividade já
desponta como esperança no tratamento de
tumores.
As pesquisadoras Gláucia Maria Pastore
e Gisele Nobre, autoras da patente “Produção
de Biossurfactantes utilizando manipueira como
substrato”, esclarecem que a capacidade
do microorganismo Bacillus subtilis de produzir
a substância denominada surfactina - um
detergente degradável - já era mencionada
na literatura.
A novidade foi conseguir desenvolver um processo
que originasse o biossurfactante. O processo para
que o microorganismo se reproduza com intensidade
demanda, em geral, um meio de cultura singular.
“Este fator encarece bastante o produto,
pois as proteínas utilizadas são
de alto valor, o que torna o custo das técnicas
convencionais inviáveis do ponto de vista
econômico”, explica Gisele.
Os biossurfactantes possuem a propriedade de
misturar as fases oleosas e aquosas, através
de um processo chamado emulsificação.
No caso da pesquisa da Unicamp, a substância
junta, homogeneamente, o petróleo na água
e liga, quimicamente, com as moléculas
de petróleo, realizando a sua degradação.
Com isso, a indústria petroquímica
ganha um importante aliado no refino do óleo
em poços profundos.
Sabe-se que, tradicionalmente, as indústrias
conseguem purificação de 60% do
volume de petróleo nos poços, sendo
a porcentagem restante inviável de se alcançar
com os produtos convencionais. A principal questão
para a indústria, portanto, era encontrar
um microorganismo com poder de procriação
abundante e potencial produtor de biossurfactante
para se atingir o rendimento adequado.
Gláucia e Gisele realizaram diversos
experimentos, e não escondem a satisfação
de exibir as amostras que comprovam a capacidade
do produto. “É visível o poder
de absorção do biossurfactante em
relação aos produtos tradicionais.
Com esse resultado será possível
auxiliar em situações como um vazamento
de petróleo no mar, limpando as regiões
afetadas”, explica Gláucia.
As pesquisas avançam agora para o campo
da engenharia genética. A idéia
é isolar os genes e cultivar o Bacillus
para a produção em escala industrial.
Já existe uma empresa do ramo ambiental
interessada na patente depositada pela Agência
de Inovação da Unicamp. Mas o processo
de negociação deve prosseguir até
o início de 2005. “Mesmo com os resultados
da pesquisa sabemos que o microorganismo possui
um potencial ainda maior. Queremos investigar
outras propriedades”, destaca Gláucia.
APLICAÇÕES - A inovação
abre um leque de aplicações, tanto
para abrir a indústria alimentícia,
quanto para a produção de fármacos.
Pode-se compor molhos para salada, maionese e
massa de pão, dando homogeneidade e diminuindo
o teor de óleo. Isto garantiria qualidade
maior aos produtos, uma vez que não conseguem
manter por muito tempo uma consistência
cremosa.
A gama de aplicações para o produto
sugere ainda a ação anti-viral,
e, também, bacteriostática nos alimentos,
e agiria em contaminantes fortes como a Salmonela
e Staphiloccus. Outros ensaios atestam a utilização
contra patógenos de difícil tratamento,
como, por exemplo, microorganismos Pseudomonas
aeroginosa presentes nos ventiladores e ar condicionado,
responsáveis por infecções
nas vias aéreas superiores.
Colaboração: Raquel
do Carmo Santos - Assessoria de Comunicação
e Imprensa da Unicamp e.mail kel@unicamp.br |